“… who threw potato salad at CCNY lecturers on Dadaism and subsequently presented themselves on the granite steps of the madhouse with shaven heads and harlequin speech of suicide, demanding instantaneous lobotomy …”

Esta talvez seja a passagem mais famosa do profético “Uivo”, emaranhado de poemas de Allen Ginsberg, lançado no Brasil pela editora L&PM Pocket. Tal passagem, não só é homenagem, mas relato de um acontecimento real envolvendo Carl Solomon.
Sim, Solomon realmente arremessou uma salada de batatas durante uma aula sobre Dadaísmo na Universidade City College of New York. Posteriormente ele afirmou que junto de seus amigos, fazia um manifesto “em prol da arte”, mas alguns anos depois, quando Solomon se internou no New York State Psychiatric Institute exigindo uma lobotomia que acabasse com sua angústia psicótica, não estava sendo artístico. Ele queria mesmo ser “suicidado”.
Nascido em 30 de março de 1928, Carl Solomon é mais famoso por Ginsberg ter lhe dedicado “Uivo”, do que por sua própria obra. Um verdadeiro beat renegado, ou parcialmente descoberto. Alguns nem ao menos o consideram como um escritor. Ele e Ginsberg se conheceram em uma sala de espera de um hospital psiquiátrico onde Ginbserg visitava sua mãe. Por seus problemas mentais, Solomon era recorrente por lá. Possuía uma inteligência hiperativa (sic) e reza a lenda que mesmo sendo dois anos mais novo, não só vivia dando conselhos, mas instruindo Ginbserg sobre diversos assuntos literários (estamos falando de Allen Gibserg recebendo conselhos) e que o autor de “Uivo” tomava nota de tudo o que Solomon dizia.

Alguns dias antes do Natal de 1949, Solomon é liberado do hospital e aluga um apartamento na West Seventeen Street. Ginsberg sugere um open-house para comemorar a metade do século e é em tal ocasião que se juntam pela primeira vez o autor de “Uivo”, Jack Kerouac, Neal Cassady, além, é claro, de Solomon, entre outros. Segundo o prefácio do livro “De Repente, Acidentes” foi nesta festa que Kerouac se encantou por Cassady (para quem não sabe, Neal Cassady foi o companheiro de Kerouac atravessando os EUA pela Rota 66 e posteriormente serviria de inspiração para a criação do personagem Dean Mortiarty em “On the Road”).
A aproximação entre Ginsberg e Solomon torna-se ainda maior quando o primeiro, por volta de 1952, vai até A. A. Wyn, tio de Solomon, com o seguinte pedido: ajudar a publicar obras de dois de seus amigos. Wyn havia fundado a Ace Books, editora nova-iorquina especializada na publicação de obras de fantasia e ficção-científica e era editor da linha encadernada Wyn Books. Quem eram os amigos de Ginsberg? William S. Burroughs e Jack Kerouac.
Como já havia acontecido anteriormente na mão de outras editoras, Kerouac e os pergaminhos de “On the Road” foram recusados, mas “Junky”, de Burroughs, que posteriormente seria referido como referência maior da geração beat justamente ao lado de “On the Road” foi publicado dentro de uma coleção de gosto duvidoso da Ace chamada “Two Books In One” (consumir “dois pelo preço de um” era muito comum nos anos 1950, assim como mais tarde fez o cinema com as seções Grindhouse). “Junkie” seria encadernado e colado a um livro de um agente de narcóticos, com censuras anotadas quanto ao conteúdo.

No ano de 1956, mesmo ano de publicação de “Uivo”, Solomon sofre nova recaída e volta ao hospital. Apesar de nunca ter exercido a profissão de escritor, é lá que seus escritos e memórias começam a tomar forma e viriam a ser reunidos sem ordem cronológica e editados sob a forma de “De Repente, Acidentes” (L&PM Pocket) e “More Mishaps”, por Mary Beach, em 1966 e 1968, respectivamente.
Sua outra obra, um ensaio, considerado por muitos como sua obra-prima, “Emergency Messages” (“Relato do Asilo: reflexões de um paciente após o choque” que originalmente fez parte da antologia “The Beat Generation and the Angry Young Man”, de Gene Feldman e Max Gartenberg) foi publicada nos EUA em 1989.
Carl Solomon era indignado com a psiquiatria repressiva. Carl Solomon era apaixonado por Baudelaire e Artaud. Carl Solomon caçoava do burburinho da sociedade em cima dos beats, fosse ele positivo ou negativo. Carl Solomon foi muito mais importante para Allen Ginsberg, “Uivo” e para a geração beat do que Neal Cassady foi para Jack Kerouac e “On the Road”. Portanto, “De Repente, Acidentes”, com o lamentável e solitário status de única obra do autor traduzida no Brasil, torna-se ainda mais indispensável.



Nossa! Mas tava ocupado mesmo, hein?
ADOREI!
KISS
Angela
E que header é esse, meu Deus?
Coisa deslumbrante!
cara, na boa
gosto pra caralho(pode falar palavrão aqui ne) dos seus textos
sério, me sinto mais instruído qndo leio seu blog
vou procurar o livro
e desculpa minha ignorância, mas o que é beat?
e outra, vc é roteirista
desejo viver dessa profissão(e tocando guitarra e atuando)
pode me dar umas dicas pra escrever?
pretendo fazer uma série virtual pra ir exercitando, o q acha?
e se tiver alguns livros pra indicar, tb agradeço
acho q é isso
q bom q fez o blog
ja coloquei no meu blogroll
abraços!
Respondi a sua enquete lá mesmo, falou?
http://toalhanacama.wordpress.com/2008/03/15/piaf-x-winehouse/#comment-41
KISS
Ah, de acordo com as minhas estatísticas, as pessoas continuam entrando no só se fala pelo meu blogroll. Eu não ia tirar porque sou apegada mesmo… Mas se você quiser eu tiro.
KISS
Ebaaa! Então you bring Beck back, back to Beck, mas mudou-se para o WordPress… Iupii! Geral num braço só \o
Quanto a Solomon, só o fato de ser conselheiro de Ginsberg já dá pulga atrás da oLHeira! Procurarei distinto rapaz que tanto passeava por hospitais psiquiátricos… Acidentes acontecem, né?!
Beijocas.
Como o senhor recomenda um livro que tá esgotado everywhere???
Carl mestre do sono
habitante de orgias sonolentas…