Archive for September, 2008

As Séries Mais Esperadas do Ano de 2022

2022 tem sido um ano interessante. Não bastassem acontecimentos históricos em âmbito social, educacional, econômico e político – como a recente eleição de Soninha Francina à presidência de república -, faz-se também necessário um olhar mais detalhado ao campo cultural, mais precisamente ao universo referente aos seriados de TV.

Vai ao ar esta semana no primetime da NBC a trigésima segunda e última temporada da série de drama ficcional mais duradoura da história da TV: “Law & Order” – somando um total de 687 episódios. É esperada uma audiência histórica para a series finale, considerando que o penúltimo episódio, exibido semana passada, foi o episódio mais assistido dos anos 2010 alcançando uma audiência recorde de dois milhões de espectadores.

Coincidentemente, no dia seguinte, na terça feira, mesmo horário, mesmo bat-canal (lembram dessa?) é a vez de “Law & Order” dar luz para seu sétimo spin-off: “Law & Order: Terrorism Alert”, drama estrelado por Penn Badgley e sucessora de “Law & Order”, “Law & Order: Special Victims Unit”, “Law & Order: Criminal Intent”, “Law & Order: Trial By Jury”, “Law & Order: Victim/Witness Program” e a famigerada “Law & Order: The Pedophile’s Files”. Badgley ficou famoso nos anos 2000 por dar vida ao personagem Dan Humphrey na série “Gossip Girl”. Porém, após o término da quarta temporada do programa teen, ainda em 2010, o ator abandonou a série para dedicar sua carreira ao cinema, e cá entre nós, já sabemos como tudo isso termina (“Velozes e Furiosos 9″, “Alien & Predador Vs. Indiana Jones 2″, “O Filho do Homem de Ferro 3″).

Por sinal, 2010 foi o mesmo ano da falência da emissora CW, gerando o cancelamento de todos os seus programas, incluindo “Smallville”, “Supernatural”, “One Tree Hill”, “Gossip Girl” e da recém estreada “Rory”, continuação de “Gilmore Girls” que narrava a vida adulta de Rory (Alexis Bledel) ao lado de seu novo amor – Paris Geller (Liza Weil) -, vivendo loucamente em L.A..

Enquanto isto, a quarta-feira promete ser épica para a FOX: Kieran Culkin e Emma Watson estrelam o remake mais aguardado da história da TV: “X Files: The New Files”. Criada por Joss Whedon em parceria com Chris Carter, a série promete ser uma mistura de refilmagem e prelúdio de “Arquivo X”. O episódio piloto vazado na Internet semana passada, agradou aos críticos, que em sua maioria, disseram ser uma obra fiel a sua progenitora. O mesmo não pode ser dito em relações aos fãs, que olham desconfiados para a parceria Whedon-Carter, visto que nos anos 1990, estas séries possuíam um público distinto.

Apesar da euforia da crítica, todo cuidado é pouco se olharmos para trás e lembrarmos de “Dawn, The Vampire Slayer”, remake de “Buffy” criado por Whedon após o fracasso de “Dollhouse”, série da longínqua 2009, estrelada por Elisha Dushku. Vale ressaltar que os protagonistas do novo “Arquivo X” possuem um ponto em comum: ambos alcançaram à fama na infância/adolescência e ambos gastaram rios de dinheiros com drogas, sendo internados na mesma famigerada clínica de reabilitação onde, em 2010, Amy Winehouse cometeu suicido cortando os pulsos (sério, será que algum dia nós saberemos da onde veio aquela faca?).

A quinta-feira deve passar batida, pois além do retorno de “A. J. Soprano” e sua quarta temporada no AMC, temos apenas o retorno de “Two And a Half Women” na CBS, série estrelada por Claire Danes, Mischa Barton e Suri Cruise.

A sexta-feira dá as caras e a semana vai chegando ao fim comprovando a tendência iniciada no final dos anos 2000: remakes. Desta vez, o chamado “J. J. Abrams HUGE comeback”, ou, o remake de “Twin Peaks”, criado por Abrams, criador de “Felicity”, “Alias”, “Lost”, “Fringe” e “Wicked”, o HUGE fracasso de sua carreira. Após o cancelamento de “Wicked”, Abrams entrou em uma grande depressão, foi diagnosticado esquizofrênico e se exilou em uma ilha no Havaí, jurando se chamar Jack Shepard. Agora, recuperado, volta ao trabalho no remake da série clássica criada por David Lynch e Marc Frost. A produção, claro, é do AMC.

Na semana que vem falaremos dos números que estas séries atingiram, pois certamente será uma semana de quebra de recordes nos anos 2010. A semana que vem também marca o aniversário fatídico de cinco anos daquela coletiva da HBO sobre a retirada do canal do mercado de seriados para focar exclusivamente na produção de filmes made-for-tv.

Mad Men

Com certo atraso (ok, big atraso) resolvi discorrer um pouco sobre o show que considero ser o melhor programa norte-americano atualmente no ar. Este atraso se deve justamente pelo “medo” que esta série ainda me causa. Lógico que estou falando do drama “Mad Men”.

“Medo” pela capacidade absurda da série de retratar quatro temas: 1962, uma agência de publicidade em 1962 , o coditiano de publicitários em 1962 e o coditiano de publicitários nova-iorquinos da Madison Avenue em 1962. Muito já se falou sobre a série. Falar o que o termo “mad men” significa é redundante, considerando que o mesmo é a primeira explicação do piloto da série, com a tela ainda em fade. Não vou perder tempo. Problema é seu se você ainda não se interessou pela série.

Diversas sinopses e argumentos podem ser atribuidos a “Mad Men”. Pode-se dizer que é um programa sobre uma agência de publicidade, é verdade. Porém, não seria equivocado dizer que a trama fala sobre as dúvidas e incertezas do cotidiano de um sujeito, Don Draper. Também não vou perder tempo. Deixo a sinopse para você.

O que precisa ser dito é que “Mad Men”, é uma série inovadora – na abordagem, não na estética – criada por Matthew Weiner, roteirista de “Sopranos”, e que é a série que colocou o canal a cabo AMC na rota dos canais de seriado. Parte da “culpa” é da HBO, que recusou o projeto quando Weiner bateu à porta da emissora. Mas aí são outros 500, quem entende de TV sabe que estes são dias sombrios para a HBO e a ladeira é muito íngrime.

Já o pequenino canal a cabo AMC nunca foi gente grande e da noite para o dia viu-se com a melhor série da televisão em suas mãos. Sua programação sempre foi pífia, repleta de filmes, talk shows e reruns. Agora, começa investir pesado nos chamados “programas originais”, ou seja, criados pela emissora. Entre eles, outras duas séries merecem atenção: “Breaking Bad” e o remake da clássica, cult, incrível, divisora de águas e tudo mais de bom que você puder pensar, “The Prisoner” (O Prisioneiro). Um adendo a isto tudo é a audiência de “Mad Men”, que dobrou em um ano: enquanto a series premiere foi assistida por 915 mil telespectadores, praticamente ninguém, a estréia da segunda temporada teve 2 milhões de telespectadores.

Enfim, muitos são os fatores responsáveis pelo sucesso da série: assim como James Gandolfini em “Sopranos”, Jon Hamm parece ter nascido para interpretar Don Draper. O resto do elenco também é primoroso, com destaques para Elizabeth Moss, January Jones e John Slattery. Os plots são bem trabalhados, respeitando o tempo dos personagens. O timing é algo tão valorizado na tela, que vez ou outra, parece que estamos diante de um documentário com pessoais reais. E as situações, lógico: talvez o grande mérito de “Mad Men”, seja a precisão histórica, veracidade em que apresenta situacões cotidianas do início da década de 1960. Muita coisa vivida na época está alí: o boom da publicidade, a vida mesquinha de Nova York, o glamour, a repressão das mulheres, o cigarro, a bebida, o racismo, adultério e até eleições presidenciais, no caso, a disputa pelo poder entre o senador democrata Kennedy e o na época vice-presidente Nixon.

“Mad Men” também começa a gozar de muito prestígio pela crítica especializada. Depois de vencer o Globo de Ouro levando para casa a estatueta de Melhor Drama e Melhor Ator em Drama para Jon Hamm, agora, junto com a série “Damages”, é a primeira série de TV da história do cabo simples (basic cable – atinge menos domicílios) a ser indicada ao Emmy de Melhor Drama, entre outras 15 indicações (incluindo Melhor Ator de Drama para Jon Hamm).

O acúmulo de indicações e prêmios, o prestígio da mídia, do público, as mad men twitter accounts e as matérias semanais em diversos jornais e revistas do mundo, são pequenas provas de que “Mad Men” é tão bem conduzida, que aos poucos vai se tornando ao mesmo tempo um ícone cult e pop.

Matthew Weiner, criador, já disse que pretende levar a série ao ar por cinco anos, para fechar o arco de dez anos na vida dos personagens. Ponto para Weiner e “Mad Men”: cinco anos é o tempo perfeito para que uma série tenha começo, meio e fim.


Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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