Mad Men

Com certo atraso (ok, big atraso) resolvi discorrer um pouco sobre o show que considero ser o melhor programa norte-americano atualmente no ar. Este atraso se deve justamente pelo “medo” que esta série ainda me causa. Lógico que estou falando do drama “Mad Men”.

“Medo” pela capacidade absurda da série de retratar quatro temas: 1962, uma agência de publicidade em 1962 , o coditiano de publicitários em 1962 e o coditiano de publicitários nova-iorquinos da Madison Avenue em 1962. Muito já se falou sobre a série. Falar o que o termo “mad men” significa é redundante, considerando que o mesmo é a primeira explicação do piloto da série, com a tela ainda em fade. Não vou perder tempo. Problema é seu se você ainda não se interessou pela série.

Diversas sinopses e argumentos podem ser atribuidos a “Mad Men”. Pode-se dizer que é um programa sobre uma agência de publicidade, é verdade. Porém, não seria equivocado dizer que a trama fala sobre as dúvidas e incertezas do cotidiano de um sujeito, Don Draper. Também não vou perder tempo. Deixo a sinopse para você.

O que precisa ser dito é que “Mad Men”, é uma série inovadora – na abordagem, não na estética – criada por Matthew Weiner, roteirista de “Sopranos”, e que é a série que colocou o canal a cabo AMC na rota dos canais de seriado. Parte da “culpa” é da HBO, que recusou o projeto quando Weiner bateu à porta da emissora. Mas aí são outros 500, quem entende de TV sabe que estes são dias sombrios para a HBO e a ladeira é muito íngrime.

Já o pequenino canal a cabo AMC nunca foi gente grande e da noite para o dia viu-se com a melhor série da televisão em suas mãos. Sua programação sempre foi pífia, repleta de filmes, talk shows e reruns. Agora, começa investir pesado nos chamados “programas originais”, ou seja, criados pela emissora. Entre eles, outras duas séries merecem atenção: “Breaking Bad” e o remake da clássica, cult, incrível, divisora de águas e tudo mais de bom que você puder pensar, “The Prisoner” (O Prisioneiro). Um adendo a isto tudo é a audiência de “Mad Men”, que dobrou em um ano: enquanto a series premiere foi assistida por 915 mil telespectadores, praticamente ninguém, a estréia da segunda temporada teve 2 milhões de telespectadores.

Enfim, muitos são os fatores responsáveis pelo sucesso da série: assim como James Gandolfini em “Sopranos”, Jon Hamm parece ter nascido para interpretar Don Draper. O resto do elenco também é primoroso, com destaques para Elizabeth Moss, January Jones e John Slattery. Os plots são bem trabalhados, respeitando o tempo dos personagens. O timing é algo tão valorizado na tela, que vez ou outra, parece que estamos diante de um documentário com pessoais reais. E as situações, lógico: talvez o grande mérito de “Mad Men”, seja a precisão histórica, veracidade em que apresenta situacões cotidianas do início da década de 1960. Muita coisa vivida na época está alí: o boom da publicidade, a vida mesquinha de Nova York, o glamour, a repressão das mulheres, o cigarro, a bebida, o racismo, adultério e até eleições presidenciais, no caso, a disputa pelo poder entre o senador democrata Kennedy e o na época vice-presidente Nixon.

“Mad Men” também começa a gozar de muito prestígio pela crítica especializada. Depois de vencer o Globo de Ouro levando para casa a estatueta de Melhor Drama e Melhor Ator em Drama para Jon Hamm, agora, junto com a série “Damages”, é a primeira série de TV da história do cabo simples (basic cable – atinge menos domicílios) a ser indicada ao Emmy de Melhor Drama, entre outras 15 indicações (incluindo Melhor Ator de Drama para Jon Hamm).

O acúmulo de indicações e prêmios, o prestígio da mídia, do público, as mad men twitter accounts e as matérias semanais em diversos jornais e revistas do mundo, são pequenas provas de que “Mad Men” é tão bem conduzida, que aos poucos vai se tornando ao mesmo tempo um ícone cult e pop.

Matthew Weiner, criador, já disse que pretende levar a série ao ar por cinco anos, para fechar o arco de dez anos na vida dos personagens. Ponto para Weiner e “Mad Men”: cinco anos é o tempo perfeito para que uma série tenha começo, meio e fim.

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8 Responses to “Mad Men”


  1. 1 Lucas September 3, 2008 at 6:52 pm

    Nem tem o que falar da série, realmente é uma qualidade absurda, tanto em abordagem, quanto em forma.

    Mas só uma coisa, Dexter também é uma série “basic cable” e foi indicada ao EMMY.

  2. 2 Pedro Beck September 3, 2008 at 7:04 pm

    Lucas,

    Você está enganado. Dexter é do Showtime, que é premium cable.

  3. 3 Lucas September 3, 2008 at 7:55 pm

    Ops, então desculpa, para mim era tudo a mesma coisa. Mas de qualquer modo, Dexter, Mad Men e Damages são as únicas séries de TV a cabo, não HBO, indicadas ao EMMY.

  4. 4 Mica September 5, 2008 at 1:30 pm

    Comecei a assistir Mad Men esta semana, nas exibições diárias que o HBO está fazendo. Até agora assisti apenas o final do primeiro episódio e o segundo, mas gostei bastante. Tem um ritmo um pouco lento, mas nem por isso menos interessante. Estou super ansiosa com o restante da temporada e morrendo de medo de não conseguir assistir tudo, devido aos horários esdrúxulos (e cada dia diferentes) das reprises do HBO.

  5. 5 Mary West September 11, 2008 at 7:30 pm

    Não sei quanto a historia em si, mas os figurinos parecem ser apetitosos. :D

  6. 6 karine September 23, 2008 at 1:29 pm

    ótimo post! eu acho mad men chique, coisa fina, cheia de nuances.

    concordo que 5 anos é perfeito para uma série.

  7. 7 Thais October 13, 2008 at 1:34 am

    Eu (ainda) nao vi Mad Men. Peguei metade de um episodio um dia, mas nem quis continuar porque boiei. Preciso fazer igual fiz com LOST: alugar todos os capitulos desde o inicio e pegar o bonde andando.
    Mas de Breaking Bad eu posso falar: sou mega fa, assisti a todos os episodios e nao vejo a hora do Mr. Walter White voltar a fazer crystal meth. Haha :) Ah, e adoreei quando ele ganhou o Emmy esse ano.

  8. 8 ganhar dinheiro July 23, 2013 at 5:17 pm

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Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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