Archive for February, 2009

Dead Like Me – The Movie

Os norte-americanos e sua obsessão por transformar seriados em filmes. Isto acontece desde que a TV existe, é verdade, mas é possível contar nas mãos os trabalhos revelantes que foram derivados de seriados – nestes, incluo Beavis and Butt-Head Do America, Arquivo X – Fight the Future, Os Intocáveis e MASH, entre poucos outros. Dead Like Me – O Filme não é o caso.

Estrelada por Mandy Patinkin (“Chicago Hope”, “Criminal Minds”), “Dead Like Me” foi uma dramédia levada ao ar pelo canal a cabo Showtime no ano de 2003 e contava a história de Georgia “George” Lass, uma menina perdida em seus 18 anos: sem ambições, emprego, diploma, amigos. Joy – repara no nome -, mãe de George, a força a conseguir um emprego em uma agência de empregos temporários chamada Happy Time, que acaba por selar o destino da menina, uma vez que ao sair para sua primeira hora de almoço, é vítima fatal de um assento sanitário que cai de uma estação espacial.

Onde uma história de vida deveria acabar, é apenas onde começa. George descobre que foi escolhida para ser uma Ceifadora de Almas e após conhecer seus co-workers, sua nova vida e seu novo trabalho, começa a questionar sobre suas escolhas quando era viva. Em suma, Dead Like Me era uma série sobre a vida após a vida.

Por diversos motivos incluindo problemas contratuais e a venda da MGM para a Sony, “Dead Like Me” foi cancelada em 2004, após duas temporadas, deixando para fãs e críticos, aquela sensação de que poderia ter rendido muito mais – não há dúvidas quanto a isto.

Eis que cinco anos depois, é confirmado o boato que há muito rondava diversos sites e foruns sobre seriado: Dead Like Me se tornaria um filme. Nunca fui um destes entusiastas da idéia, mas o filme aconteceu. Pior: foi lançado com release direct-to-DVD e sem Mandy Patinkin, que não aceitou fazer o projeto – sábio. Sim, eu acredito que a série ainda tinha alguma coisa a dizer, mas não acredito que isto poderia ser feito através de um filme de oitenta minutos em DVD. Não é o formato ideal e ainda, considero a linguagem da série um pouco datada.

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E a verdade, é que para não dizer nada, pouquíssimas coisas funcionam no filme. A fita abre com uma narração similar a de George na series premiere da série: todo aquele lenga lenga sobre como Deus criou a morte e como a mesma fugiu, aquele lance do sapo e tudo mais. Mas já começamos com um porém: esta abertura é feita através de uma linguagem de quadrinhos, ou seja, vemos tudo isto em uma HQ que tem suas páginas viradas conforme Goerge vai narrando a história. Me desculpe, mas por quê? O que a temática quadrinhos tem a ver com “Dead Like Me” ou com a mitologia da série? Nada. Esta temática é usada e abusada durante o filme.

Outro grande problema é que o filme, que tem apenas uma hora e vinte, perde quase 10 minutos introduzindo as personagens, fato extremamente irritante. Ao contrário de filmes como Beavis and Butt-Head Do America, Arquivo X – Fight the Future, Os Intocáveis e MASH, fica claro que não é um filme apenas para fãs, para matarmos a saudade das personagens, e sim um produto voltado a conquistar novos adeptos. Por que motivo eu realmente não sei, considerando que a série tem ZERO chance de voltar ao ar e uma franquia cinematográfica é praticamente uma utopia – ainda bem.

O plot do filme é o seguinte: err… qual é o plot do filme? São tantos, ao mesmo tempo, que tudo é tão profundo como um pires. Temos o plot do desaparecimento de Rube, temos o plot de George se aproximando de Reggie, temos o plot de Reggie apaixonada por um menino em coma, temos o plot do sofrimento de Delores com os últimos dias de seu gato Murry, temos o plot de Joy (Cynthia Stevenson perfeita como sempre) se aventurando como autora de auto-ajuda e mediadora de grupos para pais que perderam filhos, e temos o plot da chegada de Cameron, o substituto de Rube.

O filme não tem um plot principal e com isto, todos se tornam bobos, supérfluos. Para que introduzir um novo chefe, se Cameron (interpretado por Henry Ian Cusick, o Desmond de “Lost”), aparece na tela por no máximo cinco minutos ou quatro cenas? E o que dizer de Crystal, recepcionista da Happy Time, uma das melhores personagens da série, que no filme, aparece em apenas UMA CENA sem ter ao menos UMA FALA? E qual foi da descaracterização do Mason? Na série ele era um loser, fracassado, que não conseguia se dar bem com mulher alguma. No filme, eis que ele se torna um garanhão e pega duas ao mesmo tempo.

Delores Herbig… and her big brown eyes continua incrível. Retomamos um dos plots do final da série, a doença de Murry, e ela proporciona as cenas mais engraçadas do filme. Roxy não muda muito também e continua badass. Já Daisy, que na série era magistralmente interpretada por Laura Harris, aqui é terrivelmente vivida por Sarah Wynter – que em uma coincidência bizarra, contracenou ao lado de Harris na segunda temporada de “24 Horas”. Se Harris não quis voltar, por que não deixar sua personagem quieta? Ou por que não introduzir uma nova interpretada para Wynter?

Ellen Muth continua incrível com aquela mesma cara de bunda e sexy ao mesmo tempo. O problema é que o plot de George se aproximando de Reggie simplesmente não cola. As duas se reencontram porque o namoradinho secreto de Reggie na escola é um atleta que sofre um acidente e entra em coma. E adivinhem? George é a responsável por recolher a alma do cara. Tudo no filme é forçado demais.

Impossível contar os erros deste filme, que já se desenhava uma bomba quando Bryan Fuller, produtor original da série, recusou-se a participar do mesmo. “Dead Like Me” foi uma série muito importante para o Showtime, ajudou a consolidar o canal a cabo no mapa, mas sua mitologia parece meio ultrapassada, para não dizer brega. “Dead Like Me – The Movie” é um exemplo de como algumas coisas enterradas, devem permanecer assim. Mas o que realmente assusta é que o filme acaba com um SUPER cliffhanger (gancho) que, dependendo das vendas do DVD, pode ocasionar uma continuação.

Fall TV pilots 2009

Dramas serializados e story lines complexos perdem cada vez mais espaço na audiência dos principais canais abertos norte-americanos. É difícil acompanhar um programa serializado, com diversos cliffhangers e afins, por isso, todas as emissoras querem um ‘The Mentalist’ para a próxima temporada, não um ‘Lost’ ou ‘Heroes’.

Para a próxima fall season, NBC, ABC, CBS e FOX não cansam de encomendar produções de pilotos que abordam o cotidiano de médicos, policiais e advogados, ou remakes de séries e filmes de outrora.

Portanto, fiz uma lista dos pilotos que estou mais ansioso para assistir: menos pelo o que pode ser visto até agora – quase nada -, mais pelos produtores, criadores, atores e plots por trás do projeto.

nbc

Projeto: Mercy
Produtor: Liz Heldens (‘Friday Night Lights’)
Gênero: Dramédia
Plot: Dramédia sobre a vida pessoal e profissional de três amigas enfermeiras de um hospital.

Por que assistir: Liz Heldens escreveu alguns de meus episódios favoritos de ‘Friday Night Lights’.

Projeto: Legally Mad
Produtor: David E. Kelley (‘Boston Legal’)
Gênero: Drama
Plot: Pai e filha com family issues trabalhando no mesmo escritório de advocacia.

Por que assistir: Com o fim de ‘Boston Legal’, este será o único drama de David E. Kelley no ar. Mais o grande motivo da ansiedade, é presença de Kristin Chenoweth (Pushing Daisies) no elenco.

Projeto: Lost and Found
Produtor: Dick Wolf (‘Law & Order’)
Gênero: Policial
Plot: Tessa é uma detetive da polícia de L.A. que usa métodos não-ortodoxos para identificar suas vítimas e suspeitos. Ela é designada para esta função pouco prestigiada depois de “bater cabeça” com seus superiores. Sua mesa de trabalha fica em um porão.

Por que assistir: A série é criada por Dick Wolf e estrelada por Katee Sackhoff (‘Battlestar Galactica’). Sackhoff também foi a única coisa bacana do remake de ‘Bionic Woman’. E convenhamos, série policial é o que há!

Projeto: Southland
Produtor: John Wells (‘ER’)
Gênero: Policial
Plot: Drama ambientado em L.A. sobre o dia a dia de policiais, criminosos, vítimas e suas famílias.

Por que assistir: Elenco super bacana: Michael McGrady, Michael Cudlitz, Benjamin McKenzie e Regina Kings. Outro promising cop show.

abc

Projeto: Brothers & Detectives
Produtor: Daniel Cerone (‘Dexter’)
Gênero: Policial
Plot: Após a morte do pai, detetive sem prestígio descobre que tem um irmão gênio de 11 anos de idade que passa a ajuda-lo a solucionar crimes.

Por que assistir: Realmente, isso parece uma bomba. Só coloquei na lista porque foi escrito e terá produção executiva do mesmo produtor de ‘Dexter’. O projeto é uma releitura de um drama argentino exibido na Telefe, canal aberto por lá.

Projeto: Eastwick
Produtor: Maggie Friedman (‘Jack & Bobby’)
Gênero: Comédia / Sci-Fi
Plot: Baseada no filme de 1987, a série conta a história de três mulheres modernas que após um estranho acontecimento, descobrem ter poderes mágicos.

Por que assistir: Honestamente, é outra que não eu colocaria a mão no fogo. Mas quando eu leio o nome ‘Jack & Bobby’, tudo muda.

Projeto: Happy Town
Produtor: Josh Appelbaum, Andre Nemec, Scott Rosenberg (‘October Road’)
Gênero: Crime
Plot: História de um pequeno vilarejo chamado Happy Town após o acontecimento de um grande crime.

Por que assistir: Ser criador/produto de ‘October Road’ não me diz nada, mas ser uma releitura de ‘Twin Peaks’ diz tudo. E é isto que os produtores dizem sobre a série. Como disse o Davi Garcia do Dude News, com Lynch não se brinca. Vamos ver o que sai daqui. Piloto de duas horas de duração.

Projeto: Flash Forward
Produtor: Daivd Goyer, Brannon Braga (‘Threshold’)
Gênero: Sci-Fi
Plot: Todas as pessoas do mundo apagam por dois minutos e têm visões de seu futuro. O caos se instala.

Por que assistir: Pode ser que seja muito trash ou muito boa, mas o argumento pelo menos é original. O lance é ver se há fôlego para mais de uma temporada. Provavelmente não.

Projeto: Inside the Box
Produtor: Shonda Rhimes (‘Grey’s Anatomy’)
Gênero: Drama
Plot: O dia a dia de repórteres de uma agência de notícias em Washington.

Por que assistir: O nome Shonda Rhimes me desanima. Mas todo o resto me apetece.

Projeto: Untitled Dave Hemingson
Produtor: Dave Hemingson (‘How I Met Your Mother’)
Gênero: Dramédia
Plot: Jovem boa pinta consegue emprego de advogado em uma poderosa firma de entretenimento em L.A.

Por que assistir: Um dos melhores argumentos da fall season. ‘Entourage’ meets ‘Melrose Place’ meets ‘L.A. Law’. Parece divertida e ‘How I Met Your Mother’ é um ótimo cartão de visitas.

Projeto: V
Produtor: Scott Peters (‘The 4400′)
Gênero: Sci-Fi
Plot: Baseada na clássica mini série de 1983, conta a história da resistência humana contra alienígenas-lagartos.

Por que assistir: Sempre fui contra uma releitura de ‘V’, mas se é para acontecer, Scott Peters é um bom nome para ser o showrunner. E quem não gosta de uma invasão alienígena?

cbs

Projeto: House Rules
Produtor: Michael Seitzman, Mark Gordon (‘North Country’, ‘Grey’s Anatomy’)
Gênero: Drama
Plot: Congressistas iniciando suas carreiras em Washington.

Por que assistir: Realmente não sei. Mas pode ser bacana. Faz tempo que as emissoras tentam emplacar alguma série bacana que se passe em Washington.

Projeto: Back
Produtor:
?
Gênero:
Drama
Plot:
Um homem volta para casa e descobre que ele é considerado desaparecido pelos últimos oito anos, desde o 11 de setembro. Ele então tenta se reconectar com sua família e com o mundo.

Por que assistir: O argumento parece bom demais para a TV aberta. Curioso para entender melhor como a série vai se desenvolver.

fox

Projeto: Masterwork
Produtor: Paul Scheuring (‘Prison Break’)
Gênero: Aventura
Plot: Uma equipe tem como função viajar o mundo e recuperar artefatos e obras preciosas. Alguma coisa nos moldes de ‘National Treasure’ e ‘Código Da Vinci’.

Por que assistir: Só porque é do Paul Scheuring, pois tem cara de ser uma bomba.

Projeto: Maggie Hill
Produtor: Ian Biederman (‘Shark’)
Gênero: Drama
Plot: Todo gênio tem seus problemas. Maggie Hill é uma cardiologista brilhante, mas também sofre de esquizofrenia.

Por que assistir: Médica e louca… House de saia?

Projeto: Virtuality
Produtor: Ron Moore (‘Battlestar Galactica’)
Gênero: Sci-Fi
Plot: Drama de ficção-científica que se passa em dois mundos diferentes: no espaço e em mundo virtual sem limites (?).

Por que assistir: Preciso dar uma chance para um plot tão bizarro quanto este, e por ser um projeto do Ron Moore. Mas as coisas não parecem boas, considerando que a FOX pediu uma segunda versão do piloto.

E você? Quais destas você mais está ansioso para assistir? Deixei alguma de fora injustamente?


Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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