O piloto de Hung

Há alguns anos a HBO era o canal a cabo modelo para todos os outros. Menos pelo seu marketing, mais pelos programas que levava ao ar. Carnivale, Six Feet Under, Deadwood e Sopranos – deixando The Wire de fora já que a série não chegou ao fim ainda – foram alguns dramas que alavancaram o nome e a audiência do canal nos últimos dez anos. Não podemos esquecer de citar também a comédia Sex and the City (ou como costumo a chamar: a série que todo mundo viu). Por melhor que sejam, séries como In Treatment e True Blood estão anos luz atrás de suas antecessoras.

A HBO foi o carro forte da chamada era de ouro da TV norte-americana. A safra foi tão boa que outros programas foram ao ar na TV aberta, com status de “too good for open tv”. Para não me prolongar, cito The West Wing e Studio 60 for the Sunset Strip.

A era do ouro foi embora há um tempo, a safra é péssima, a HBO ficou de fora da categoria Melhor Drama no último Globo de Ouro e perdeu seu posto de “canal diferenciado” para menores como FX e Showtime. Este é o retrato atual da TV norte-americana. Aos poucos, a emissora busca trazer seu público de volta. Hora com erros, como Eastbound & Down, hora com acertos, como é o caso de Hung.

hung
Estrelada por Thomas Jane, o protagonista de The Mist, a dramédia – assim considerada pela HBO, mas para mim é apenas drama – é ambientada nos tempos atuais, no coração de Detroit, um dos estados americanos que mais sofre com a crise econômica e imobiliária. Jane dá vida a Ray Drecker, sujeito que no high school era “atleta, popular, charmoso, cheio de vida e bem dotado”, como descrito por sua ex-mulher em dado momento do episódio piloto. Agora, ainda parafraseando Jessica, vivida por Anne Heche, é “apenas bem dotado”.

Ray é treinador universitário de basquete. Após perder a mulher, os dois filhos, a moral e a auto-estima, vai atrás de uma aula de “Como se tornar um milionário” para perdedores. É lá, e com a ajuda de um caso, uma poetisa, que Ray tem a idéia que o deixará rico. Quando incentivados pelo professor em descobrir o que há de diferente dentro de si dos demais, Ray percebe: não é muito inteligente e sua época já passou. O que sobrou para Ray? Seu enorme pênis. A partir daí, o ex-treinador resolve se prostituir com a ajuda de Tanya, a ex-poetisa que agora se tornará sua cafetina.

A HBO lançou algumas séries nos últimos anos mais engraçadinhas e menos dramáticas. Nenhuma delas vingou como esperado. Hung é diferente das demais por ter muita carisma. Anos atrás diríamos que uma série boa de outro canal tinha cara de HBO. Hoje, digo que Hung tem cara de Showtime.

Agora, se é o programa que colocará a HBO de volta nos trinques, é cedo demais para afirmar. Alguns veículos, como o San Francisco Chronicle, já citam a série como “the next big thing”, mas acho muito cedo. O piloto, que teve uma audiência de 2.8 milhões de telespectadores, tem sim muitas ramificações e possibilidades que podem render boas histórias para uma primeira temporada: Ray é muito carismático e o cenário escolhido como pano de fundo da série, a crise norte-americana, é interessantíssimo de se acompanhar.

2 Responses to “O piloto de Hung”


  1. 1 Vinicius July 7, 2009 at 5:00 pm

    Tomara que vingue em uma boa temporada.. Assisti ontem o piloto e achei legalzinho. Mas nada espetacular, por enquanto.

  2. 2 Paula July 10, 2009 at 2:52 am

    Gostei em partes com o seu texto e blá blá blá… vamos tomar um café?


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Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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