Posts Tagged 'swsx'

She & Him

A investida de atrizes na carreira de cantora pode causar sentimentos diversos. No século XX as lembranças são incríveis: Doris Day, Olivia Newton John, Ann Margaret (atriz-cantora, cantora-atriz), entre outras. Dos anos 2000 para cá as referências são no mínimo controversas: Paris Hilton, Hilary Duff, Lindsay Lohan, Scarlett Johansson e porque não Juliette Lewis que compensa seu talento musical limitado com um verdadeiro freak show em cima do palco.

A investida em uma carreira paralela que não a que consagrou uma “estrela” é vista com muita desconfiança pela crítica. Sorte – e talento – melhor teve Zooey Deschanel (Quase Famosos), que ao lado do músico de country-folk M. Ward começa chamar atenção com a banda She & Him, formada após cantarem uma música – “When I Get to the Border” (que não está na trilha), de Richard & Linda Thompson – no filme The Go-Getter, ainda inédito no Brasil.

Enquanto Deschanel alcançava o estrelato nas telas com o “Guia do Mochileiro das Galáxias” após ótimas atuações em filmes independentes, Ward não ficou para trás e despontou no meio musical ao co-produzir álbuns para Neko Case, Chan Marshall (Cat Power), Conor Oberst (Bright Eyes), Jim James (Morning Jacket), Nels Cline (Wilco) e Jenny Lewis (Rilo Kiley), além de fazer parte do grupo canadense Broken Social Scene.

Com uma sonoridade que remete ao country pop (ou folk-pop, que muito se assemelham ao soft-rock) dos anos 1970 o She & Him lançou recentemente seu primeiro álbum, intitulado “Volume One”. Dentre as 11 faixas, a voz de Zooey Deschanel entoa três covers: “Was Made For You” de Ronnie Spector, “I Should Have Known Better” dos Beatles e “You Really Got a Hold On Me”, que apesar de atribuída a John Lennon é de autoria do The Miracles, banda americana de R&B que fez certo sucesso nos anos 1960.

As oito faixas restantes foram escritas pela “she” que dá nome à banda e é em “Why Do You Let Me Stay Here” que o duo alcançou o sucesso e reconhecimento de fãs e críticas sendo uma das principais atrações do South by Southwest 2008, festival de música (e filmes) que religiosamente acontece todos os anos no mês de março na cidade de Austin, no Texas.

Enquanto Zooey, que quando pequena cantava em um coral, toca piano e banjo, Ward acumula três funções: a de back vocal, guitarrista e produtor do álbum. A voz de Deschanel é daquelas arrebatadoramente tristes que somada às letras românticas composta pela (ex?) atriz, muito se assemelham à fase Isobel Campbell do Belle & Sebastian.

Diferente da carreira como atriz, onde suas atuações eram muito destacadas, Deschanel aqui não tenta ser uma celebridade, muito menos chamar atenção por qualquer outra coisa que não seja sua doce voz, o que é inteligente, pois como uma menina apaixonada com seu melhor vestido, cantando diante de seu grande amor, ela não só encanta como convence.

The Ting Tings

A imprensa britânica pode ser dividida em duas: a imprensa britânica e imprensa britânica que escreve sobre música. Sobre a primeira, apesar de um pouco sensacionalista, faz o bê-á-bá do jornalismo como manda o figurino. Já a segunda, é digna de um aprofundamento.

Adjetivos controversos como sensacionalista e “pró-hype” parecem ser requisitos básicos para escrever sobre música na terra da rainha. Todas as semanas os jornalistas musicais elegem uma nova banda, um novo cantor ou uma nova cantora a “salvador da pátria”: aquele ou aquela que veio para nos libertar do marasmo, do limbo, do buraco negro em que se meteu o rock’n’roll. Citando o Titãs, resume-se: o que se busca todos os dias é “a melhor banda de todos os tempos da última semana”.

tingtings1.jpg

A nova coqueluche da cena pop inglesa não tem sequer um álbum lançado. Mas quem precisa de um quando meninas de 15 anos surgem para o mundo jogando meia dúzia de canções no MySpace? A banda The Ting Tings certamente não. Com apenas quatro canções o duo formado por Jules De Martino e Katie White apareceu para o mundo, para as pistas e para a mídia em 2006 após encerrar suas atividades na finada Dear Eskiimo – banda que fez relativo sucesso no underground inglês por alguns anos, mas nunca conseguiu por a cabeça fora d’água – e criar o TTT.

Estamos falando de um duo que só toca guitarra e bateria, o sobrenome da front woman é White, mas o Ting Tings não é o novo White Stripes. Nem soa como. O desempenho de Katie White no palco é um misto entre a loucura de Betty Ditto e voracidade da natureza enfurecida com New Orleans. Se as letras são consideradas simplórias, melosas, a sonoridade é literalmente um caso de “leve três e pague dois”: diferente de Jack e Meg, o Ting Tings não faz um rock cru e tem o auxílio de software de mixagem com diversos loops e sintetizadores.

tingtings2.jpg

Com a fama repentina veio o convite para participar do Glastonbury Festivals 2007, hoje o maior e mais importante festival de rock do mundo que acontece todos os anos – geralmente no mês de junho. E foi no palco “Introducing Stage” que a banda se consagrou, tornando popular seu segundo single: “Great DJ”, depois de ter um desempenho apenas razoável com a primeira música de trabalho: “That’s Not My Name”.

Passados alguns meses o Ting Tings possui diversos shows agendados por toda a Europa, um álbum (“We Started Nothing”) prontinho para sair do forno em maio, críticas positivas, críticos entusiastas em boa parte do mundo e memorável desempenho no SXSW Music Festival.

O single “Great DJ” já recebeu um remix de peso assinado pelo gênio mundial dos remixes, Calvin Harris, e Huw Stephens , DJ da Radio One, mais famosa rádio de rock do mundo, já profetizou: “o Ting Tings será a banda principal nos maiores festivais dos próximos anos.”

À conferir.

Será que alguém aí ainda lembra e precisa de Franz Ferdinand?


Culpado

eu1361.jpg
Pedro Beck é jornalista por formação, publicitário por opção, crítico e colunista de TV, redator, colecionador, roteirista e flamenguista.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

@
Twitter
Facebook
Balada Mixta

Categorias

Flickr

Suspiria





More Photos