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Mad Men – Terceira temporada

Mad Men, é uma série inovadora – na abordagem, não na estética – criada por Matthew Weiner, roteirista de Sopranos. É a série que colocou o canal a cabo AMC na rota dos canais de seriado. Parte da “culpa” é da HBO, que recusou o projeto quando Weiner bateu à porta da emissora e até hoje a emissora se nega a falar sobre este ocorrido. Mas aí são outros 500, quem entende de TV sabe que estes são dias sombrios para a HBO e a ladeira é muito íngrime. Como dizem por aí: “It’s not TV, it’s HBover”.

Já o pequenino canal a cabo AMC nunca foi gente grande e da noite para o dia viu-se com a melhor série da televisão em suas mãos. Sua programação sempre foi pífia, repleta de filmes, talk shows e reruns. Agora, começa investir pesado nos chamados “programas originais”, ou seja, criados pela emissora. Entre eles, outras duas séries merecem atenção: Breaking Bad e o remake da clássica, cult, incrível, divisora de águas e tudo mais de bom que você puder pensar, The Prisoner (O Prisioneiro), aqui, no formato minissérie. Um adendo a isto tudo é a audiência de Mad Men, que triplicou em dois anos: enquanto a series premiere foi assistida por 915 mil telespectadores, a estréia da segunda temporada teve 2 milhões de telespectadores e a estréia da terceira, no último dia 16, abocanhou 2,8 milhões de telespectadores.

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Muitos são os fatores responsáveis pelo sucesso da série: assim como James Gandolfini em Sopranos, Jon Hamm parece ter nascido para interpretar Don Draper. O resto do elenco também é primoroso, com destaques para Elizabeth Moss, January Jones e John Slattery. Os plots são bem trabalhados, respeitando o tempo dos personagens. O timing é algo tão valorizado na tela, que vez ou outra, parece que estamos diante de um documentário com pessoais reais. E as situações, lógico: talvez o grande mérito de Mad Men, seja a precisão histórica, veracidade em que apresenta situacões cotidianas do início da década de 1960. Muita coisa vivida na época está alí: o boom da publicidade, a vida mesquinha de Nova York, o glamour, a repressão das mulheres, o cigarro, a bebida, o racismo, adultério e até eleições presidenciais, no caso, a disputa pelo poder entre o senador democrata Kennedy e o na época vice-presidente Nixon.

A terceira temporada começa não se preocupando muito em explicar a série para quem até agora não a assistiu: o “previously” dura apenas um minuto e há uma passagem de tempo entre o fim do segundo ano e a atual season premiere. O ano é 1963 e Kennedy ainda é presidente. Diferente do que imaginávamos ao fim da segunda temporada, após Betty perdoar Don e deixá-lo voltar para casa, aqui, vemos um Don Draper não muito diferente do de sempre, praticando o adultério assim que a oportunidade aparece.

‘Out of Town’, nome do episódio, destina bastante de seu tempo mostrando Don e Sal Romano em uma viagem de negócios enquanto a Sterling Cooper, agora vendida para uma firma inglesa, e com novos CEOS, pega fogo. Por falar em pegar fogo, em um pequeno acidente no hotel em que Don e Sal se hospedam, Don descobre sobre a homossexualidade de Sal, mas não o confronta – e realmente não faz o fetio de nosso protagonista.

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Enquanto isso, com a demissão do gerente de contas da agência, o novo diretor de finanças, Lane Pryce, promove ao mesmo tempo Pete Campbell e Ken Cosgrove a diretores – causando conflito entre os dois. Peggy é cada vez mais importante para a agência e agora possui sala, secretária e, mais importante, o respeito de Joan.

Ao mesmo tempo em que é romântica e nostálgica, Mad Men é um exercício de crítica: sempre que pode, coloca o dedo na ferida nos problemas da época. Sempre que pode, nos faz admirar Don Draper e seu penteado reluzente em seus ternos impecáveis, passando a imagem de que o protagonista é um ser acima do bem e do mal, e é como realmente nosso protagonista se comporta.

Considerando que a série deve durar cinco anos, esta terceira temporada com seu senso incomum de estilo, tem tudo para ser a temporada das mudanças, pois chegamos no meio da jornada dos personagens. E a julgar pela season premiere, o isolamento e sentimento de solidão serão temas recorrentes desta temporada – sempre em paralelo com as mudanças culturais que acontecem de uma temporada para outra. Como diz Don Draper em determinado momento do episódio: “Continuo indo em novos lugares e continuo dando de cara com algum lugar em que já estive.”

Matthew Weiner, criador do programa, já disse que pretende levar a série ao ar por cinco anos, para fechar o arco de dez anos na vida dos personagens. Ponto para Weiner e “Mad Men”: cinco temporadas é o tempo perfeito para que uma série tenha começo, meio e fim. Mad Men é tão bem conduzida, que aos poucos vai se tornando ao mesmo tempo um ícone cult e pop.


Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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