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Hercules & Love Affair

Antes de entrar no assunto H&LA, eis um nome a ser aprofundado: DFA Records.

DFA Records

Fundada em 2001, a DFA Records é hoje, ramificação da EMI em música eletrônica. O selo é braço independente da major e possui contrato de exclusividade na produção e distribuição de seus artistas.

Criada por Tim Goldsworthy (produtor do Cut Copy), James Murphy (do LCD Soundsystem) e Jonathan Galkin, a DFA é casa de diversos nomes do eletrônico como The Rapture, Black Dice, Hot Chip e o próprio LCD Soundsystem, entre outros.

Nas rédeas da produção o selo vai além: para ficar apenas em alguns nomes, produziu e remixou desde 2001, artistas como Le Tigre, NIN e Chemical Brothers, além dos já citados Hot Chip e LCD. No subgênero dance-punk a DFA é sem dúvida propriedade no assunto: seu catálogo de bandas deixa isto evidente, pois a grande maioria bebe da cena underground nova-iorquina do final da década de 1970 (estamos falando do groove de bandas como Talking Heads, Blondie e Liquid Liquid). A grande diferença destas bandas de ontem para as de hoje é a sonoridade mais suja, barulhenta, às vezes até mais pesada.

Hercules & Love Affair

Outra banda que desde 2007 tomou a DFA como lar é o Hercules & Love Affair. Há quem chame de banda de um cara só (Andy Butler, DJ e produtor que dispensa comentários), há quem chame de duo (Butler + Antony Hegarty, que empresta sua voz em cinco faixas). Porém, o H&LA também pode ser considerado um coletivo (formado também por Kim Ann e Nomi) vindo de Nova York com capacidade e energia suficiente para despertar a cidade mais populosa dos EUA do marasmo musical que se enfiou nos últimos anos.

Seu auto-intitulado álbum é como um soco no estômago: curto e direto. O primeiro single, “Blind”, é sucesso no mundo todo desde 2007 e já deixou Frankie Knuckles de queixo caído – o DJ norte-americano, um dos grandes precursores da house-music, fez um remix imperdível da faixa.

Independente do revival da dance music, do talento de cada um dos colaboradores do CD, das críticas quase que unanimemente positivas, da profundidade das letras, outro fator que impressiona no álbum de estréia é a capacidade de faixas como “Hercules’ Theme”, “You Belong”, “Athene”, “Blind” e “This Is My Love”, entre outras, serem extremamente versáteis: o disco em sua maioria consegue ser arrasador, independente se é tocado em um set list onde um DJ traz uma pista de dança abaixo, ou em um volume baixo, como música ambiente acompanhado de qualquer outro afazer.

Até quando não manda tão bem, o álbum se destaca, como em “Iris”, faixa mais melosa dentre as dez inclusas no trabalho de estréia, cheia de sintetizadores e um vocal quase que bucólico na voz de Kim Ann.

O grande nocaute do projeto de Butler é a capacidade da banda em ir além da “disco”. Hora soam como space-disco, ora neo-disco e ora house, sempre invocando o melhor dos gêneros com vocais cheios de loops. O groove da banda é completo, bem executado e somado a devastadora voz de Antony Hegarty – ele mesmo, o Antony do Antony and the Johnsons – faz do quarteto uma rara exceção à regra, ficando a house music como o novo “huge comeback” musical.

O álbum de estréia foi lançado no dia 10 de março de 2008 (o single “Blind” uma semana antes) e a partir de maio a banda se prepara para sair em turnê por toda a Europa, participando de diversos festivais musicais como o Sónar Festival, que acontece todos os anos em Barcelona, Espanha, onde se apresentarão ao lado de nomes como Yelle, M.I.A., Frankie Knuckles, Goldfrapp e Justice, entre outros.

Não entremos naquela velha discussão se a banda em questão veio para salvar seu gênero. Sabe aquela famosa frase que diz “na dúvida, fique com o original”? Se tratando de H&LA, digo com segurança: desta vez, fique com o hype.

O que realmente importa e torna o trabalho de estréia dos caras, até aqui, como o melhor do ano: é de longe, o álbum mais original e promissor feito por um coletivo norte-americano em muitos anos.

(Para quem estiver a fim de curtir ao vivo um DJ set de Andy Butler, o produtor toca nos dias 18 e 19 de abril no Rio (69) e em SP (Vegas), respectivamente).

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Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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