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Felipe Ricotta

Conheci Felipe Ricotta em meados de 2005. Ainda residente do Rio de Janeiro, trabalhava em uma revista de música chamada Laboratório Pop, edita por Mario Marques, figurão do jornalismo musical, atual Jornal do Brasil. Eu sabia que tinha um tal de Ricotta na revista, mas não o conhecia pessoalmente.

Através de uma amiga em comum, a Dannie Cortez, no Bar que Nunca Fecha, ali do lado da São Clemente, em Botafogo, sentei pra beber quase cinco da manhã com a Dannie, umas amigas dela e dois caras que vira e mexe eu cruzava na noite do Rio. Conversa vai, conversa vem, descubro que o sujeito ao meu lado era o tal do Ricotta, e daí, desembestamos a conversar até o primeiro arredar.

Pouco tempo depois, sem mais nem menos, me mudei para São Paulo, sem saber muito bem o motivo. O que eu sei é que cerca de um ano depois, cruzei com o Ricotta no messenger e ele veio me falar que estava se mudando para São Paulo. Que viria trabalhar na MTV. Outro ano se passou e resolvi entrevista-lo.

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Pedro Beck: Como você chegou na MTV?

Felipe Ricotta: Eu cheguei na MTV porque eu mandei um e-mail pra lá dizendo que eu tava indo pra São Paulo mudar o mundo.

PB: E aí eles te chamaram pra conversar?

FR: Daí eu tinha uma idéia de programa, eles me ofereceram uma vaga pra trabalhar na produção e eu topei.

PB: Eu lembro que te perguntei uma vez, quando você tava indo pra lá (MTV), se você era formado em jornalismo. Você lembra o que você me respondeu?

FR: Não…

PB: Que era formado em mulher e maconha. Com quase dois anos de MTV, continua só em mulher e maconha ou você tá curtindo essa área e pensa em trampar só com isso no futuro?

FR: Cara, agora eu saí fora da casa. To abrindo a Ricotta Produções ano que vem e to rodando por aí divulgando minhas músicas.

PB: Ricotta Produções? Qual vai ser?

FR: Cara, a gente vai fazer clipes e gravar outras bandas. Vai ter um estúdio de ensaio, vão rolar umas festas, enfim, fazer de tudo um pouco.

PB: E a tua banda? Tem mesmo seu nome? Que porra é essa?

FR: Então, eu to com uma banda no Rio e outra em SP.

PB: Fala, aí…

FR: Esse mês faço três shows aqui no Rio com a banda daqui (14/11 18/11 e 24/11) e dia 25/11 faço em São José dos Campos com a banda de lá que são três malucos de fortaleza


Felipe Ricotta – “Eu Não Consigo Ser Tão Teu”

PB: E tua banda antiga, o “Carol Azevedo Morreu”? Que nome é esse? É recalce de corno? Sempre achei esse nome sensacional.

FR: Porra, Beck, o nome da banda era só “Carol Azevedo”.

PB: Eu inventei o “morreu”?

FR: Mas ela nunca andou… eu tenho um material que nunca foi gravado, mais de 20 músicas. Pretendo gravar um dia. O “morreu” é só o e-mail da banda.

PB: Por falar em material que nunca foi gravado de verdade, lembra da session Mario Marques Blues que gravamos com o Daniel? Caralho, aquilo foi sensacional.

FR: Precisamos depois entrar em estúdio e gravar algo, cara. ‘Pedro Beck e os Irmãos Brothers’.

PB: Boa! Tipo ‘Nashville Sessions’ do Dylan com o Cash. Já ouviu? É sensacional e tinha muito improviso alí.

FR: O improviso é a parada.

PB: Como você define o som de suas bandas?

FR: Com a do Rio, a gente toca as músicas do primeiro disco. Com a de SP, a gente muda os arranjos das antigas e toca as novas do segundo disco

PB: Você bebe em que outras bandas pra compor?

FR: De onde eu bebo? Po, meu som é bem diferente das minhas bandas preferidas, então sei lá, eu bebo de mim mesmo e de quem tá tocando comigo

PB: Não é pretensioso falar que não de bebe de nenhuma banda que curte?

FR: Acho que não, cara. Porque as influências para compor não vem só de bandas. Por exemplo, eu sou fã pra caralho de Ryan Adams, Ben Folds, Superdrag, Lemonheads… e eu não consigo encontrar muito deles ali na minha obra. Na verdade, eu dialogo muito com eles, é como se fosse uma competição saudável: “Porra, olha só essa música que esse filho da puta fez, que foda. Vou seguir por um caminho totalmente diferente.” Uma vez eu tava pensando em um arranjo para uma musica nova e semanas depois saiu um disco do Ryan Adams em que ele tinha feito exatamente o que eu tinha imaginado em fazer! Daí eu desisti da idéia. E tem uma música nova do Ben Folds que no refrão ele canta exatamente o que eu canto em “Afronta”, só que inglês. São as coincidências cósmicas.


Felipe Ricotta – “Três Meses”

PB: E São Paulo? O que tá achando? Outro carioca que veio pra ficar? Acho essa cidade muito louca, cara.

FR: Cara, agora eu to feliz de morar em São Paulo porque estou podendo sair da cidade com mais frequência. Mas eu amo.

PB: Porra, quando eu vou para o Rio eu fico em depressão: parece que aquela merda parou no tempo, não? Tipo Cuba. Ou Santos.

FR: Porra, cara. Sei lá. Ontem era segunda-feira, passei na porta do Empório e tinha um movimento. Tinha uns bandas novas tocando na Melt… eu estou na onda riponga. Tá tudo bem em qualquer lugar e todo mundo é muito legal o tempo todo.

PB: Então você acha que a noite do Rio é boa sim, ao contrário do que falam?

FR: O rock tá ressurgindo no Rio de forma violenta.

PB: Onde? Eu não vejo isso.

FR: A Tijuca é a nova Seattle… Foda-se. Agora eu já falei.

PB: O grunge ta voltando?

FR: O que vai rolar agora é uma mistura de grunge com hippie.

PB: Você tá me dizendo que um novo movimento musical ta surgindo e ele começa… na Tijuca?

FR: Vai ser a resposta do orgânico para a invasão eletrônica. É, cara. As pessoas vão se rebelar contra os computadores e os celulares.

PB: E essa onda electro que São Paulo não consegue parar de respirar? Aliás, Sao Paulo tem vida própria ou bebe mais do que devia do exterior?

FR: Essa onda electro tá enchendo o saco já. Não vai durar porque é baseada em bala e pó, e não em maconha. Então o público não dura muito. Ninguém aguenta muita química na cabeça por muito tempo. Daí quando bate a deprê, as pessoas se voltam pra música feita para o coração e não para o corpo.

PB: Mas e aí, você falou pra MTV que ia mudar o mundo. Está mudando?

FR: Se eu estou mudando o mundo? Pra caralho!

PB: Pra terminar… quem manda mais? Cash, Dylan ou who cares?

FR: Quem manda mais? Gram Parsons, porra!

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Laura Taylor

Antes da entrevista, a maior preocupação de Laura era com as respostas: “Meu português é meio zoado, morei muito tempo fora, você corrige se eu falar algo errado?”.

“Relaxa, não se preocupa”, respondi.

Laura Taylor, apesar de mineira, morou boa parte de sua vida na Nova Zelândia. Após surgir na noite como integrante do coletivo de DJs Killer Shoes, resolveu tentar a sorte na seletiva em que o Bonde do Rolê organizou em parceria com a MTV na busca de uma nova front woman que substituisse Marina Vello. Se deu bem: ao lado de Ana Bernardino, Taylor é a nova vocalista do grupo.

Conversei com Laura poucas horas antes de ela embarcar para Portugal, onde foi ao encontro dos outros integrantes da banda. Em um papo descontraido, rápido, mas divertidíssimo, Laura fala sobre suas expectativas, sonhos, Rodrigo Gorky, Pedro D’Eyrot, Ana Bernardino, Killer Shoes, a distância da família e dos amigos, entre outros assuntos.

Da onde veio a vontade de ser vocalista do Bonde?

LAURA TAYLOR: Eu sou performatica, né, meu bem. Ser só DJ não estava me satisfazendo. Uma cabine é pouco, eu quero palco.

Você se considerava fã da banda antes da seletiva?

LT: Sim, fazia parte do set das Killers [Shoes].

O que achou da Ana ter entrado na parada? Se você se inscreveu no concurso é porque queria ser a frontwoman. Como é ser uma das?

LT: Eu acho lindo, Ebony and Ivory [referência a Paul McCartney]. Os meninos não poderiam ter escolhido melhor. Eu não sei como será, estou morrendo de medo, sonhando muito, muita coisa bizarra. Ontem sonhei que fazia a minha mala.

O sonho que durou a noite inteira e foi uma mala muito bem feita! Eu dobrei tudo, escolhi cada roupa, arrumei a necessaire, passei o que tinha que passar, peguei as roupas do varal, organizei minha pasta de documentos… fiz tudo! Acordei exausta e com nada arrumado. [risos] É muita ansiedade para uma pessoa só!

Você tem mantido contato com o Gorky e o Pedro? Vocês já se conhecem bem?

LT: Estamos construindo uma amizade muito bonita e especial. [risos]

Qual a sua maior referência musical? [Nesta hora, peço para ela falar o primeiro nome que vier em mente, Laura não só responde como indica o vídeo abaixo]

LT: O B-52’s!

Como espera que fique sua vida agora? Está preparada para mil viagens, ficar longe da família e dos amigos?

LT: Mil viagens, sim! Ficar longe da família e amigos, mais ou menos… O cansaço, no way! [de jeito nenhum].

Quando o CSS surgiu eles diziam que criaram a banda para beber de graça nas festas. Com o tempo, se tornou algo sério. É com este pensamento, se divertir, que você encara essa nova etapa da sua vida, ou você almeja isto como um trampolim para, de repente, algo ainda maior? Exagero ou não, é a hora e vez de Laura Taylor, não?

LT: Eu estou aqui para beber de graça nas festas! [risos] Mentira. No dia em que eu ganhei, liguei para meu pai e gritei: “Pai! Ganhei! Vou ficar famosa”, e ele respondeu: “Não meu bem, famosa você vai ser quando casar com a Madonna”. Então isto aqui é um trampolim para casar com a Madonna, to make daddy proud! [para deixar meu pai orgulhoso].

E a Pequeña Laura Taylor? Vai fazer participação no Bonde?

LT: Claro! Onde tem whisky, tem La Pequeña.

O Killer Shoes morreu com a sua saida?

LT: Não, nunca. O Killer Shoes não é só discotecagem, é um estilo de vida!

Quem manda mais? Cash, Dylan ou quem se importa?

LT: Não tem como comparar.

Me da uma exclusiva quando você for o highlight do Coachella e Glastonbury? Junto com as passagens?

LT: Te dou demais, filho!

Por fim, mas não menos importante: Já está preparada para ser odiada pelo povinho recalcado do Brasil?

LT: To demais, filho!

Crédito das fotos: Bárbara Dutra


Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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