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Laura Taylor

Antes da entrevista, a maior preocupação de Laura era com as respostas: “Meu português é meio zoado, morei muito tempo fora, você corrige se eu falar algo errado?”.

“Relaxa, não se preocupa”, respondi.

Laura Taylor, apesar de mineira, morou boa parte de sua vida na Nova Zelândia. Após surgir na noite como integrante do coletivo de DJs Killer Shoes, resolveu tentar a sorte na seletiva em que o Bonde do Rolê organizou em parceria com a MTV na busca de uma nova front woman que substituisse Marina Vello. Se deu bem: ao lado de Ana Bernardino, Taylor é a nova vocalista do grupo.

Conversei com Laura poucas horas antes de ela embarcar para Portugal, onde foi ao encontro dos outros integrantes da banda. Em um papo descontraido, rápido, mas divertidíssimo, Laura fala sobre suas expectativas, sonhos, Rodrigo Gorky, Pedro D’Eyrot, Ana Bernardino, Killer Shoes, a distância da família e dos amigos, entre outros assuntos.

Da onde veio a vontade de ser vocalista do Bonde?

LAURA TAYLOR: Eu sou performatica, né, meu bem. Ser só DJ não estava me satisfazendo. Uma cabine é pouco, eu quero palco.

Você se considerava fã da banda antes da seletiva?

LT: Sim, fazia parte do set das Killers [Shoes].

O que achou da Ana ter entrado na parada? Se você se inscreveu no concurso é porque queria ser a frontwoman. Como é ser uma das?

LT: Eu acho lindo, Ebony and Ivory [referência a Paul McCartney]. Os meninos não poderiam ter escolhido melhor. Eu não sei como será, estou morrendo de medo, sonhando muito, muita coisa bizarra. Ontem sonhei que fazia a minha mala.

O sonho que durou a noite inteira e foi uma mala muito bem feita! Eu dobrei tudo, escolhi cada roupa, arrumei a necessaire, passei o que tinha que passar, peguei as roupas do varal, organizei minha pasta de documentos… fiz tudo! Acordei exausta e com nada arrumado. [risos] É muita ansiedade para uma pessoa só!

Você tem mantido contato com o Gorky e o Pedro? Vocês já se conhecem bem?

LT: Estamos construindo uma amizade muito bonita e especial. [risos]

Qual a sua maior referência musical? [Nesta hora, peço para ela falar o primeiro nome que vier em mente, Laura não só responde como indica o vídeo abaixo]

LT: O B-52’s!

Como espera que fique sua vida agora? Está preparada para mil viagens, ficar longe da família e dos amigos?

LT: Mil viagens, sim! Ficar longe da família e amigos, mais ou menos… O cansaço, no way! [de jeito nenhum].

Quando o CSS surgiu eles diziam que criaram a banda para beber de graça nas festas. Com o tempo, se tornou algo sério. É com este pensamento, se divertir, que você encara essa nova etapa da sua vida, ou você almeja isto como um trampolim para, de repente, algo ainda maior? Exagero ou não, é a hora e vez de Laura Taylor, não?

LT: Eu estou aqui para beber de graça nas festas! [risos] Mentira. No dia em que eu ganhei, liguei para meu pai e gritei: “Pai! Ganhei! Vou ficar famosa”, e ele respondeu: “Não meu bem, famosa você vai ser quando casar com a Madonna”. Então isto aqui é um trampolim para casar com a Madonna, to make daddy proud! [para deixar meu pai orgulhoso].

E a Pequeña Laura Taylor? Vai fazer participação no Bonde?

LT: Claro! Onde tem whisky, tem La Pequeña.

O Killer Shoes morreu com a sua saida?

LT: Não, nunca. O Killer Shoes não é só discotecagem, é um estilo de vida!

Quem manda mais? Cash, Dylan ou quem se importa?

LT: Não tem como comparar.

Me da uma exclusiva quando você for o highlight do Coachella e Glastonbury? Junto com as passagens?

LT: Te dou demais, filho!

Por fim, mas não menos importante: Já está preparada para ser odiada pelo povinho recalcado do Brasil?

LT: To demais, filho!

Crédito das fotos: Bárbara Dutra

She & Him

A investida de atrizes na carreira de cantora pode causar sentimentos diversos. No século XX as lembranças são incríveis: Doris Day, Olivia Newton John, Ann Margaret (atriz-cantora, cantora-atriz), entre outras. Dos anos 2000 para cá as referências são no mínimo controversas: Paris Hilton, Hilary Duff, Lindsay Lohan, Scarlett Johansson e porque não Juliette Lewis que compensa seu talento musical limitado com um verdadeiro freak show em cima do palco.

A investida em uma carreira paralela que não a que consagrou uma “estrela” é vista com muita desconfiança pela crítica. Sorte – e talento – melhor teve Zooey Deschanel (Quase Famosos), que ao lado do músico de country-folk M. Ward começa chamar atenção com a banda She & Him, formada após cantarem uma música – “When I Get to the Border” (que não está na trilha), de Richard & Linda Thompson – no filme The Go-Getter, ainda inédito no Brasil.

Enquanto Deschanel alcançava o estrelato nas telas com o “Guia do Mochileiro das Galáxias” após ótimas atuações em filmes independentes, Ward não ficou para trás e despontou no meio musical ao co-produzir álbuns para Neko Case, Chan Marshall (Cat Power), Conor Oberst (Bright Eyes), Jim James (Morning Jacket), Nels Cline (Wilco) e Jenny Lewis (Rilo Kiley), além de fazer parte do grupo canadense Broken Social Scene.

Com uma sonoridade que remete ao country pop (ou folk-pop, que muito se assemelham ao soft-rock) dos anos 1970 o She & Him lançou recentemente seu primeiro álbum, intitulado “Volume One”. Dentre as 11 faixas, a voz de Zooey Deschanel entoa três covers: “Was Made For You” de Ronnie Spector, “I Should Have Known Better” dos Beatles e “You Really Got a Hold On Me”, que apesar de atribuída a John Lennon é de autoria do The Miracles, banda americana de R&B que fez certo sucesso nos anos 1960.

As oito faixas restantes foram escritas pela “she” que dá nome à banda e é em “Why Do You Let Me Stay Here” que o duo alcançou o sucesso e reconhecimento de fãs e críticas sendo uma das principais atrações do South by Southwest 2008, festival de música (e filmes) que religiosamente acontece todos os anos no mês de março na cidade de Austin, no Texas.

Enquanto Zooey, que quando pequena cantava em um coral, toca piano e banjo, Ward acumula três funções: a de back vocal, guitarrista e produtor do álbum. A voz de Deschanel é daquelas arrebatadoramente tristes que somada às letras românticas composta pela (ex?) atriz, muito se assemelham à fase Isobel Campbell do Belle & Sebastian.

Diferente da carreira como atriz, onde suas atuações eram muito destacadas, Deschanel aqui não tenta ser uma celebridade, muito menos chamar atenção por qualquer outra coisa que não seja sua doce voz, o que é inteligente, pois como uma menina apaixonada com seu melhor vestido, cantando diante de seu grande amor, ela não só encanta como convence.

Guillemots e os trens para o Brazil

It’s 1 o’clock on a Friday morning
I’m trying to keep my back from wall
(…)
And to those of you who moan your lives through one day to the next
Well, let them take you next
Can’t you live and be thankful you’re here?
See it could be you tomorrow, next year

Londres, 22 de julho de 2005

Hoje é sexta-feira. Um rapaz de 27 anos, provido de aparência semita, caminha em passos largos rumo a estação de metrô de Stockwell. Nascido em Gonzaga, minúsculo município do estado de Minas Gerais, o imigrante brasileiro rumou à terra gringa apenas três anos antes do dia de sua morte: 22 de julho de 2005.

No país de um outro Charles, não deram tempo para Jean Charles de Menezes atender a um chamado e consertar um alarme de incêndio quebrado em Kilburn, motivo de tamanha pressa naquela fatídica manhã rumo ao trem subterrâneo.

 

 

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Após oito longas balas de ponta oca, também atendendo pelo nome de dundum, daquelas que estilhaçam dentro do corpo, armamento proibido desde a Convenção de Haia em 1899, Jean Charles, primo de Alex Pereira, deixa de ser mais um desconhecido talvez ultrapassando a popularidade de seu xará, filho de Elizabeth II.

 

 

Londres, 2004. Algum dos 30 dias de novembro

 

Em algum lugar, ano antes, na mesma cidade, Fyfe Dangerfield finalmente acerta: após quase meia dúzia de bandas formadas, projetos experimentais, salta, enfim, rumo ao estrelato ao lado da moça Aristazabal Hawkes e dos rapazes Greig Stewart e MC Lord Magrão – brasileiro, que apesar do MC é guitarrista. É formada a banda Guillemots.

 

Londres, 10 de julho de 2006

 

 

Quase um ano se passou e o “santuário” em frente à estação de metrô de Stockwell continua sendo diariamente freqüentado por aqueles que no baú de suas lembranças lembram da história de um brasileiro assassinado pela Scotland Yard. O Guillemots saiu do anonimato para o sucesso sendo aclamado e reconhecido por fãs e críticos musicais.

 

 

 

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Quem também não conseguiu esquecer a tragédia que abalou as relações entre Brasil e Inglaterra foi Dangerfield. O álbum “Through the Windowpane”, primeiro da banda, é lançado e logo chega ao topo das paradas musicais. Das 11 faixas do disco, uma delas, a terceira, chama atenção.

 

 

“Trains to Brazil”, escrita em 2002 pelo vocalista, pode ser considerada um comentário social ao abordar as precárias condições de vida no mundo contemporâneo e a suspeita e desconfiança que espreita a sociedade após o 11 de setembro de 2001. Dangerfield crítica aqueles que passam a vida reclamando, pois acredita que devemos agradecer por apenas estar vivos, e quase como um decreto, encerra: “Você pode ser o próximo / Amanhã / Ano que vem.”

 

 

 

 

Mas não apenas pelo engajamento político que a música chama a atenção. Mais importante, é que no processo de gravação do álbum, a canção possuía outro nome e seu título foi alterado as pressas para “Trains to Brazil” em homenagem a Jean Charles Menezes.

 

 

“Through the Windowpane” também possui outras duas referências ao Brasil. A sétima faixa, “If The World Ends”, cujo o refrão é “If the world ends / I hope you’re here with me / I think we could laugh just enough / To not die in pain / If the world ends / It won’t finish you / You’re not the type they can capture / You flit like a fly catcher / They can’t pin you down / Can’t pin you down” termina com a voz de uma criança, provavelmente brasileira com a seguinte mensagem em português: “Mas o mundo não acabou. Ainda. De qualquer forma”. A segunda referência é o nome da última faixa do álbum: “São Paulo”.

 

 

Brasil, 17 de março de 2008

 

 

O Guillemots se prepara para lançar seu segundo álbum, intitulado “Red”, no dia 24 de março. No último dia 17 do mesmo mês, o single “Get Over It” foi disponibilizado no MySpace da banda e logo vazou para toda a Internet.

 

 

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Além do single, fazem parte de “Red” as seguintes canções: “Kriss Kross”, “Big Dog”, “Falling Out Of Reach”, “Clarion”, “Last Kiss”, “Cockateels”, “Words”, “Standing On The Last Star”, “Don’t Look Down” e “Take Me Home”.

 

O quarteto parte em maio para sua nova turnê e assim como em sua primeira excursão pelo mundo, nenhuma data no Brasil ou na América Latina parece estar inclusa.


Editor


Pedro Beck é jornalista e crítico de TV.


Contato:
pedrobeck@gmail.com

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